segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A pirataria de livros e o fim das editoras

Sim, a pirataria de livros será tão comum em alguns anos quanto é hoje a pirataria de músicas.

Se vai falir as grandes editoras, isso eu acho pouco provável, pois sempre terá gente disposta a pagar 30 reais num livro de papel, assim como ainda tem gente com acesso à internet que compra cds e, quem sabe, até vinil.

Mas em uns 5 anos, acredito que o lucro das editoras vai diminuir pela metade! Portanto, se você trabalha numa editora, é bom já ir fazendo uns cursos em outras áreas e preparando um novo currículo. Programador de livros digitais deve ser a nova profissão do futuro, já que o formato atual ainda vai evoluir bastante.

Mas antes de tudo, é bom deixar claro que o que estou tratando aqui é a popularização da leitura de livros (e-books) num leitor de livros digitais (e-reader), e não no computador, até porque eu mesmo nunca consegui ler um livro inteiro através de um monitor.

Vamos lá: o e-reader é como um mp3 player, só que em vez de rodar músicas, "roda" livros. Quem saiu na frente foi o Kindle, da Amazon, mas tem também o e-reader da Sony e inclusive já tem até uma versão brasileira que eu não lembro o nome.

Tem um monte de gente que ainda pensa que o e-reader não é tão bom quanto o velho livro. Pra mim é preconceito puro. Além de ter o mesmo tamanho que um livro comum, a tela não cansa a visão como a de um monitor, você pode ler no sol que não tem aquele reflexo tradicional dos monitores comuns, você pode aumentar o tamanho da letra, o que resolve o problema das letras miúdas dos livros impressos, você pode gravar milhares de livros e, sinceramente, acho muito mais cômodo e confortável para ler deitado do que um livro comum, que geralmente é pesado, você precisa ficar folheando, as vezes perde a página em parou... enfim, em questão de conforto, o e-reader ganha.

Aliás, muita coisa ainda pode evoluir na tecnologia e-reader. Logo mais lançarão e-books com imagens coloridas e animadas, ou que vão iniciar uma trilha sonora de suspense quando você chegar num capítulo mais sombrio do livro, já pensou? A possibilidades são infinitas. É aí que vão entrar os programadores de livros digitais.

Outra coisa: só pelo e-book levar o crédito de ser ecologiamente correto, já fará com que as pessoas se sintam na "obrigação" de abandonar os livros de papel, outro fator positivo em prol dos e-readers. Árvores serão poupadas e a poluição causada na distribuição, produção e impressão de livros cairá drasticamente. Claro que a fabricação de e-readers também tem sua parcela de poluição, mas é preciso levar em conta que um único e-reader comporta milhares de livros.

Então a sobrevivência das editoras vai depender de como e do quanto elas vão inovar a ponto de conseguir DIMINUIR a pirataria que inevitavelmente vai acontecer. Infelizmente alguns setores editoriais vão sentar no nabo mesmo, como o setor de distribuição, as livrarias comuns, as gráficas etc.

Não sei... Se as editoras começarem a vender seus e-books através dos seus sites ou mesmo livrarias comuns por uns 10 reais ou menos, o que é justo, lucrativo e socialmente responsável, talvez consigam diminuir o impacto da pirataria.

E ainda tem os audio-books. O brasileiro não é um povo que gosta muito de ler, então acho provável que os "livros narrados" fiquem tão populares (e pirateados) quanto os e-books.

Os únicos contras dos e-books é que não tem aquele clássico cheirinho de livro novo e você não vai poder mais pagar de intelectual para os seus amigos ostentando-os na sua estante.

Ah, tem também o preço: por menos de R$ 300,00 você não compra um e-reader atualmente. Quando chegar nuns R$ 150,00, eu compro o meu.